Após três anos de pandemia da Covid-19, pacientes e profissionais de saúde já incorporaram a telemedicina e outras ferramentas de Saúde Digital em seus cotidianos. Segundo pesquisa da Associação Paulista de Medicina e Associação Médica Brasileira, a pandemia fez com que a metade dos médicos passasse a realizar atendimento à distância. Desde então, aplicativos móveis se tornaram mais integrados aos sistemas de gestão, a rede 5G chegou ao Brasil. Ocorreu uma modernização da lei do Sistema Único de Saúde (SUS) e a regulamentação a telemedicina. Com o início do novo governo federal, em janeiro de 2023, o Ministério da Saúde ganhou uma Secretaria de Saúde Digital . A pasta priorizará temas como a telessaúde, segurança, consolidação de dados e sandbox regulatório para testes.
Se já está claro que o conceito de saúde digital vai muito além da telessaúde e da telemedicina, é importante observar as tendências mais factíveis para 2023. Afinal, é necessário ter em vista que a transformação digital da saúde deve chegar a um patamar muito mais avançado em 2030. Essas mudanças já estão em marcha rápida e envolvem as políticas públicas e todo o ambiente da saúde suplementar no Brasil e no mundo.

Tratamos com profundidade destas e outras tendências no webinar “Perspectivas da Saúde para 2023: o que pensam os líderes de empresas, profissionais da área e os formadores de opinião do setor”, que você pode assistir gratuitamente pelo link. Nele, nosso Diretor Médico Claudio Tafla conversou com os convidados José Cechin, superintendente executivo do Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS) e ex-ministro da Previdência Social, Luiz Edmundo Prestes Rosa, diretor do Instituto de Gestão Sustentável e Florentino Cardoso, conselheiro efetivo do Conselho Federal de Medicina.
Quer uma prévia da discussão? Então confira a seguir a nossa lista de 5 perspectivas para a Saúde Digital em 2023!
1. Contexto econômico favorável para a saúde digital em 2023
O contexto econômico é positivo para os investimentos em saúde digital no país, considerando especificamente as empresas de saúde suplementar. É o que aponta José Cechin, superintendente executivo do Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS) e ex-ministro da Previdência Social. Segundo ele, contudo, esse crescimento será modesto, equivalente ao que vem sendo observado desde julho de 2020. Isso significa que não deve ter um grande impacto na renda dos trabalhadores, o que tradicionalmente se refletiria em um maior número de usuários. “De lá pra cá, o número de beneficiários dos planos de saúde cresceu todos os meses, mas em uma taxa anual de cerca de 3%, que deve continuar”, prevê.
Entretanto, segundo a Associação Brasileira de Planos de Saúde (Abrange), o mercado de planos de saúde deve alcançar 51,5 milhões de pessoas com convênios médicos no Brasil até o final deste ano, um número recorde de usuários. Em 2014, quando o setor atingiu seu patamar histórico, o número chegou a 50,5 milhões de clientes.
2. Nova lei de Telessaúde e Open Health
Pelo menos duas medidas governamentais foram encaminhadas de dezembro de 2022 a janeiro de 2023 no âmbito da Saúde Digital. São elas: a sanção da Lei Federal Brasileira de Telessaúde e a criação da Secretaria de Saúde Digital no Ministério da Saúde (MS). Além dos pontos citados na abertura do texto, o órgão surge tendo como prioridades dar continuidade à Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS), ampliar o uso da telessaúde, criar regulação para inovação e incluir a saúde digital nas grades curriculares das universidades.
A nova lei revoga o texto de 2020, que autorizava apenas temporariamente as consultas à distância, durante a pandemia de Covid-19, e moderniza a legislação que instituiu o SUS em 1990. Assim, tanto o profissional de saúde quanto o paciente têm o direito de decidir pelo uso ou não das tecnologias da informação para acompanhamento médico e consultas à distância. Similarmente, telemedicina deve obedecer ao Marco Civil da Internet, à Lei do Ato Médico, à Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD), ao Código de Defesa do Consumidor e à Lei do Prontuário Eletrônico.
Ao mesmo tempo, com regras bastante claras, o Open Health deve sair do plano das ideias e ganhar vida em 2023. A iniciativa prevê a criação de uma plataforma de dados em saúde que permitirá a criação de um prontuário único para cada paciente. A portabilidade entre planos de saúde deve ser mais ágil. Na prática, todos os registros eletrônicos de saúde serão propriedade do paciente. Dessa forma, o paciente terá autonomia para decidir quem deve ter acesso aos seus dados. A medida valerá tanto nos atendimentos do SUS quanto nas instituições privadas e das operadoras de planos de saúde.
3. Tecnologia versus altos custos
Um dos principais desafios do setor de saúde é a forte pressão dos custos. Portanto, as empresas de saúde suplementar tendem a investir na melhoria da gestão, de políticas, de estratégias e de indicadores de acompanhamento. Softwares que permitem a melhor visualização e gestão dos dados e das jornadas dos pacientes devem ser grandes aliados das empresas, permitindo também uma melhor integração de programas, análise de desfechos clínicos e uma melhor avaliação dos parceiros e prestadores de serviços. Do mesmo modo, há vários ganhos aos pacientes, que tendem a se tornar mais engajados com seus tratamentos e satisfeitos com a prestação de serviços de saúde.
O descompasso entre o valor pago pela cobertura e os custos crescentes de saúde ainda é uma equação. “Nós queremos o melhor sempre, mas nem sempre o nosso bolso alcança. Temos um problema de escolha que não é muito fácil. Como acomodar o desejo de acesso às melhores tecnologias que existem no mundo com a capacidade de pagamento que temos?”, indaga Cechin.
O conselheiro efetivo do Conselho Federal de Medicina, Florentino Cardoso, também critica a falta de indicadores adequados para que as operadoras diferenciem e valorizem mais os bons prestadores de serviço. Frequentemente, o que mais acontece ainda é “nivelar por baixo”. Com isso, hoje, elas acabam remunerando da mesma forma médicos, laboratórios e clínicas com padrões de qualidade distintos.
“Não há um monitoramento dos desfechos dos procedimentos de cada profissional, de cada médico. A gente precisaria ter variáveis que dizem respeito à produtividade, à qualidade, à satisfação e a como o paciente é tratado”, argumenta Florentino. “Igualmente, o exame de má qualidade precisa ser feito duas vezes, e isso onera a operadora”.
De acordo com Luiz Edmundo, dentro da melhoria de gestão, surge o imperativo de as empresas integrarem melhor seus programas, suas bases de dados. Em contrapartida, é necessária muita tecnologia.
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4. Autonomia e engajamento do paciente
Uma das principais tendências da Saúde Digital em 2023 é fomentar o protagonismo do paciente no cuidado. Há estudos que apontam que, quanto maior o engajamento do paciente, melhores tendem a ser os desfechos clínicos e seus índices de satisfação com o serviço de saúde. Na prática, pode haver uma tendência de fidelização para clínicas e hospitais, além de uma redução de custos e queda de sinistralidade para as operadoras de saúde, por exemplo.
Além das equipes de saúde que podem se beneficiar das ferramentas e sistemas com foco em autonomia e engajamento do paciente, esse trabalho envolve outros atores. Entre eles, as áreas de Recursos Humanos das empresas, que são as maiores contratantes de planos de saúde. O diretor do Instituto de Gestão Sustentável, Luiz Edmundo Prestes Rosa, aponta para a oportunidade dos departamentos de RH. Eles podem utilizar as redes sociais para melhorar o protagonismo das pessoas em relação à sua própria saúde.
“Muitas empresas têm alcançado enorme sucesso com gamificação, promovendo mudança para hábitos mais saudáveis”, cita.
5. Novas aplicações de Saúde Digital com 5G
Por fim, a chegada da tecnologia 5G a todas as capitais brasileiras neste ano, oferecendo uma velocidade de conexão até 10 vezes maior do que a do 4G, passou a viabilizar uma série de aplicações de Saúde Digital em dispositivos móveis. Além do potencial aumento da democratização da saúde, mitigando problemas de capilaridade das redes físicas e da disponibilidade de especialistas em muitas localidades do país, teremos a chance de ver um maior desenvolvimento de padrões de interoperabilidade de sistemas de saúde digital em 2023.
Em síntese, tudo isso deve fomentar o interesse de operadoras e prestadoras de serviço em investir em soluções de mobilidade em Saúde Digital. Teremos à disposição mais velocidade e redes mais seguras, com protocolos de criptografia avançados, melhor proteção de privacidade e uma estrutura de autenticação mais sofisticada. A inteligência artificial e o big data poderão se expandir ainda mais com o 5G no contexto da saúde, por exemplo, sempre em conformidade com a LGPD.
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