Muito mais amplo do que a telemedicina e a telessaúde em si, o conceito da saúde digital envolve, entre outras coisas, o uso de dados do paciente para a melhor gestão em saúde. Desse modo, as novas tecnologias permitem tanto uma melhor coordenação do cuidado, quanto a completa integração das informações clínicas. Por sua vez, as ferramentas de engajamento permitem que equipes de saúde e pacientes interajam ao longo do tempo.
Essas novas plataformas digitais são extremamente relevantes também no acompanhamento de doenças crônicas e no tratamento de doenças complexas como o câncer. Afinal, são vários os agentes da saúde envolvidos: hospitais, clínicas, laboratórios e operadoras de saúde. Sem contar os diversos especialistas.
“O câncer hoje exige um tratamento multidisciplinar, então a integração do cuidado é fundamental para tratarmos adequadamente os pacientes. Esse acompanhamento pode inclusive evitar idas ao hospital, desonerando o sistema de saúde”, afirma Carlos Sacomani, Chief Medical Information Officer do A. C. Camargo Cancer Center.
Desafios da gestão de dados em oncologia: os dados do paciente
Mais de 150 milhões de pessoas estão cadastradas no sistema público de saúde do Brasil com o DATASUS. Esse registro digital de pacientes no SUS é uma entrada para o tratamento, mas o acesso a um especialista é um dos maiores gargalos do sistema único de saúde.
Ao mesmo tempo, no sistema de saúde privado, ocorre o contrário. Há um excesso de acesso a especialistas totalmente descentralizado, sem uma ferramenta que unifique os dados de diagnóstico e tratamento do paciente, sem uma comunicação efetiva entre esses diferentes especialistas.
“O paciente é um só e transita pelos dois sistemas. Precisamos, portanto, ter toda a sua jornada capturada pelo sistema de informação para que o profissional de saúde possa ter acesso. Os bancos de dados precisam ser integrados”, afirma Denizar Viana, Médico Oncologista e Professor titular da Faculdade de Ciências Médicas e Pró-Reitor de Saúde da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).
Melhor integrada, a gestão de dados oncológicos pode ser a saída para desonerar sistemas de saúde e economizar tempo e recursos, beneficiando mais pacientes e permitindo um acompanhamento muito mais eficiente e próximo.
Telemedicina e dados para um cuidado mais humano
Segundo Carlos Sacomani, a telemedicina ajuda a manter a continuidade do tratamento, facilitando o acesso do paciente. “Ao contrário do que muitos podem pensar, a telemedicina aproxima o médico do paciente, proporcionando muito mais contato”, afirma o médico. Afinal, as consultas por telemedicina podem resolver gargalos de capilaridade e acesso, dando também mais conforto ao paciente, sem ter que comparecer a tantas consultas presenciais.
“No caso de um paciente oncológico, o tratamento tem várias etapas. Precisamos acompanhar esse paciente por muito tempo. Há quem diga que, em algumas situações, a gente transformou o câncer em doença crônica, já que a sobrevida pode durar muitos anos. Em uma quantidade significativa de casos, a doença não volta nem se torna a causa de morte daquele paciente”, completa Sacomani.
Ainda de acordo com Carlos Sacomani, a saúde digital veio para ficar e, para conseguir integrar o cuidado, manter o paciente engajado e apoiá-lo em todas as etapas de tratamento, o uso de dados e plataformas digitais é um recurso bastante interessante.
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