No Brasil, a atenção primária é o principal organizador do Sistema Único de Saúde (SUS). Em geral, ela é oferecida como serviço público a partir da Estratégia Saúde da Família (ESF) e visa ampliar a resolutividade das questões de saúde. Contudo, há alguns anos, vem se tornando cada vez mais importante nos atendimentos da rede privada. Ambos os setores estão inovando em seus atendimentos com o uso de ferramentas tecnológicas, promovendo a Atenção Primária à Saúde Digital (APS Digital).
Essa transformação se acelerou com a pandemia, quando houve maior engajamento social e político para regulamentar as diversas dimensões da telessaúde e da telemedicina, inclusive sobre APS Digital. Neste sentido, destacam-se três medidas, que veremos a seguir.
As três medidas da Atenção Primária à Saúde Digital
A primeira medida é a Estratégia Nacional de Saúde Digital 2020-28 (ESD28), publicada em 2020 pelo Ministério da Saúde. Ela tem como um dos objetivos expandir a digitalização da APS no Brasil. A segunda é a regulamentação definitiva da telemedicina no Brasil, que dá segurança jurídica à telemedicina em todos os níveis de atendimento. A terceira é a publicação da Resolução Normativa 506, uma orientação mais robusta para gerenciar seus processos, com maior controle dos desfechos clínicos e dos resultados de gestão.
A transformação digital da APS nos setores público e privado têm os mesmos objetivos: expandir os serviços de forma integrada e planejada, garantir o acesso a serviços de APS de qualidade para todos e reduzir os riscos à saúde da população por meio da prevenção, vigilância epidemiológica e promoção da saúde.

Neste contexto, entenda quais benefícios a Atenção Primária à Saúde Digital (APS Digital) pode trazer para a gestão de saúde e, consequentemente, para os beneficiários das operadoras e os pacientes de clínicas:
APS Digital aprimora a integralidade na saúde
Conceitualmente, a atenção primária à saúde digital pressupõe um cuidado de saúde integrado, que não trata de doenças apenas pontualmente, mas que acompanha todos os aspectos da vida do paciente e seu histórico de saúde. A partir disso, a APS Digital propõe atendimento personalizado, com foco também na prevenção de enfermidades e na promoção de bons hábitos.
Essa dimensão da integralidade é potencializada com a APS Digital, em especial com os prontuários eletrônicos. Eles agregam o registro longitudinal de um paciente, com informações médicas registradas por diferentes instituições e ambientes de atenção à saúde.
Atualmente, a estruturação da estratégia de Saúde Digital no SUS conta com o esforço para que o setor público e setor privado falem a mesma língua. No setor público, 75% das equipes de saúde da família do SUS têm prontuários eletrônicos ou em formatos digitais já organizados, que podem se juntar aos dados produzidos nos atendimentos da rede de saúde privada e qualificar a promoção de saúde do sistema como um todo.
APS Digital é ferramenta para consolidar dados de saúde
Um dos principais desafios da telemedicina aplicada à Atenção Primária são os limites da ausência do exame físico no paciente. A APS, normalmente, resolve de 80% a 90% dos problemas que chegam até ela. Já sob o modelo da APS digital, esse índice cai para em torno de 60%. Para avançar no nível de resolutividade, o segredo é ampliar o volume de informações sobre o paciente. Ou seja, a limitação da APS Digital pode ser superada por suas virtudes.
Além das informações clínicas que são coletadas ao longo da vida do paciente, a APS Digital é capaz de reunir e processar dados sociodemográficos (como local de residência, profissão e local de trabalho) e administrativos (como seguro saúde). Eles dão mais segurança para que os profissionais de saúde avancem no desfecho clínico ainda no ambiente virtual.
Estimula melhora nos processos de assistência à saúde
A transformação digital se coloca como oportunidade de aumentar a qualidade da atenção primária e criar um novo modelo, que abranja o atendimento digital e físico de forma organizada e sincronizada.
O gerente geral de Estratégias em Saúde da Unimed Piracicaba, Antônio Amaral, menciona a RN 506 e seu Programa de Certificação de Boas Práticas em Atenção à Saúde de Operadoras de Planos de Saúde como caminho para as operadoras alcançarem melhores resultados nos serviços de APS.
“Esse processo de certificação e de revisão dos processos de assistência à saúde trazem um ganho de significância imensurável. De segurança para o paciente, de governança clínica, de resultados e controles de desfechos clínicos, além da assertividade de tratamentos e diagnósticos”, avalia Antônio.
Ele abordou outros aspectos da evolução da APS digital no setor privado como convidado do webinar “RN 506: Benefícios da Atenção Primária Digital”. Nele, nosso Diretor Médico Claudio Tafla conversou também com os convidados Luciano Nader, Médico de Família e Comunidade, e Ana Carolina Severini, Médica de Saúde e Comunidade da Pipo Saúde. Clique aqui para baixar gratuitamente a gravação do nosso webinar!
Maior disponibilidade no atendimento
“Se eu fosse esperar para me consultar com ‘meu médico’, teria de esperar dois meses para conseguir a consulta”. Ana Carolina Severini, médica da Pipo Saúde, compartilhou o relato de um de seus pacientes ao ser atendido no ambiente da APS Digital.
Sob a lógica das especialidades médicas, uma das grandes reclamações dos beneficiários é a demora em conseguir um atendimento. Com a qualificação da APS Digital, um dos benefícios é a maior disponibilidade do serviço.
Com efeito, quando o atendimento leva em conta o histórico do paciente e é empático, “olho no olho”, nota-se uma proporção bem satisfatória de pessoas que engajam no tratamento.
Maior alcance geográfico com redes de atendimento de APS Digital
As operadoras de saúde não têm a capilaridade do setor público na oferta presencial de Atenção Primária à Saúde. Já com a APS Digital, as empresas não só têm condições de ampliar a cobertura de atendimento geograficamente, como podem estabelecer redes de referência e contrarreferência resolutivas que colaborem com a APS.
Isso porque a atenção primária não extingue a necessidade das demais especialidades médicas. Do mesmo modo, ela não elimina a necessidade de, eventualmente, encaminhar para o atendimento presencial.
Quando se pensa nos processos da APS digital, essa articulação estratégica com as redes é pensada de forma mais qualificada. Por isso, a certificação proposta pela RN 506 se apresenta como uma ferramenta importante para as operadoras de saúde.
Assistência médica de qualidade a custos menores
A Atenção Primária à Saúde Digital reduz o custo médio por exame e direcionado para especialistas ou para o atendimento presencial apenas os casos em que não é possível ter um diagnóstico preciso de forma digital. Quando bem estruturada, a APS digital não é uma triagem, mas um ambiente de resolução de problemas médicos.
Dessa forma, algumas operadoras de planos de saúde entenderam que, investindo em APS, é possível ofertar uma assistência médica de qualidade com um custo menor. Portanto, mensalidades de valores mais baixos.
Um exemplo é a nossa cliente Leve Saúde, que opera exclusivamente na Região Metropolitana do Rio de Janeiro atendendo pessoas acima de 45 anos. Em menos de um ano, foram conquistados 8,6 mil beneficiários, sendo que 70% deles estavam até então sem planos de saúde. O segredo foi investir em APS Digital para reduzir os custos médicos sem prejuízos à qualidade do serviço oferecido.
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